Quando o segredo não é a alma do negócio, onde começa e acaba a proteção do marketing digital?

Combinar estratégias de marketing digital com estratégias de proteção de recursos de propriedade intelectual, nunca se mostrou tão necessário e determinante para o sucesso das organizações.

O mundo digital é imenso e uma “ideia” que surja neste canto do planeta, rapidamente se difunde por ambos hemisférios através das redes sociais e plataformas online, levando a que durante um abrir e fechar de olhos, aquela ideia - fabulosa, única e espetacular – se perca no ciberespaço, órfã do seu criador.

O marketing digital é atualmente tanto ou mais utilizado que o marketing tradicional, porque a sociedade em geral mudou os seus hábitos e passou do sofá onde se sentava a assistir à difusão de programas de televisão terrestre de domingo à tarde, para os ecrãs dos smartphones que transporta para todo o lado.

Aqui surge a oportunidade de ouro dos marketeers para desenharem as melhores estratégias de comunicação e campanhas publicitárias que satisfaçam os intentos comerciais do serviço ou produto que promovem. Esta arquitetura, baseada na interdependência das pessoas (consumidores) em relação às tecnologias, leva a que se dispute uma espécie de terra sem lei, onde a luta acontece na conquista incessante de quota de mercado e enfraquecimento da concorrência.

Mas, não vale tudo!

O marketing e a propriedade intelectual precisam estar alinhados de forma que na disputa do terreno ambicionado, um passo para a esquerda não pise a área legal e, um passo para a direita, não represente a perda de uma oportunidade de mercado.

A propriedade intelectual, que compreende os direitos da propriedade industrial consignados no Código da Propriedade Industrial e os direitos autorais, contidos no Código dos Direitos de Autor e Direitos Conexos, deve ser sempre acautelada de modo proativo para que determinado segredo não deixe de ser a alma do negócio. Por outro lado, será também de extrema importância fazerem-se pesquisas de modo que se possa comprovar que a criação concebida não existe, porque, se existir, perder-se a sua originalidade e/ou criatividade e este poderá ser, por si só, o início de uma batalha legal sem precedentes.

Textos, nomes de domínio, imagens, marcas de produtos ou serviços, flyers ou brochuras e desenhos, são alguns dos exemplos de criações que podem levar a quebras de proteção de direitos de propriedade intelectual.

Há por isso um conjunto de bens imateriais associados ao marketing que a pressão do momento e a rapidez com que a informação circula poderão deitar por terra investimentos avultados em campanhas de comunicação, branding e meios publicitários, com todas as consequências nefastas que acarreta para a “marca”.

Fica então a certeza de que a propriedae intelectual será sempre um aliado do marketing digital cujo papel é permanentemente desafiador para os seus criadores que terão de conciliar a estratégia de marketing com as fronteiras que delimitam a proteção de ativos intangíveis e comportamentos anti concorrenciais.

O conhecimento da legislação sobre a propriedade intelectual e a implementação de estratégias que protejam ativos intelectuais, são componentes essenciais de uma estratégia de marketing digital bem-sucedida.


Fontes:

https://www.researchgate.net/publication/233705138_Managing_intellectual_property_in_the_digital_product_market

https://www.idealmarketing.com.br/blog/crimes-cometidos-no-marketing-anuncios-que-violam-a-propriedade-intelectual/

https://www.igac.gov.pt/registo-da-propriedade-intelectual

https://www.asae.gov.pt/investigacao-criminal/propriedade-industrial.aspx

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